quinta-feira, 17 de novembro de 2016

IDOSA COM ALZHEIMER É ENCONTRADA MORTA APÓS SETE DIAS DESAPARECIDA

Rita teria desaparecido na manhã de quinta (9), em Epitaciolândia (Foto: Arquivo da família)

A aposentada Rita Rodrigues, de 65 anos, foi encontrada, na quarta-feira (16), sem vida após passar sete dias desaparecida. Rita tinha Alzheimer e tomava remédios controlados, segundo o filho, o autônomo Berenildo Rodrigues, de 42 anos. Ele diz ainda que a mulher foi encontrada a aproximadamente 1,5 mil metros do local de onde havia sumido.

Rita vivia em uma casa com a filha e o genro, em um ramal no km 67 da rodovia BR-317, na zona rural do município de Epitaciolândia, interior do Acre. No dia 9 de novembro, ela estava só em casa com o genro. Segundo um amigo da família, o homem disse que estava colocando lajotas na varanda e ela ao lado, quando em um momento de distração dele sumiu.

O Exército chegou a ser acionado para dar apoio aos amigos e familiares a procurar pela mulher, mas após seis dias as buscas foram suspensas.

“Ela foi encontrada por volta das 17h, estava a aproximadamente 1,5 mil metros do local de onde havia saído. Ela era doente e aí foi para a mata e não achou o caminho de volta. Como não foi achada logo e ficou sem medicação infelizmente veio a óbito”, contou o filho da idosa.
O autônomo disse ainda que o resultado da autópsia aponta que a morte da idosa ocorreu por causas naturais e que não havia sinais de violência.

Rodrigues agradeceu as pessoas que ajudaram na procura e diz que apesar da situação há ao menos um conforto. “A gente tá muito triste, mas por outro lado Deus nos confortou porque conseguimos encontrar ela, mesmo sem vida”, finaliza.

O corpo está em Rio Branco, na sede do Instituto Médico Legal (IML). A família espera que ele seja liberado até às 18 horas desta quinta para ser levado para a cidade de Assis Brasil. Onde deve ser velado e enterrado.

G1/Ac

PREVISÃO DE NÃO PAGAMENTO DO 13° DEVE DESACELERAR VENDAS DE FINAL DE ANO, DIZ FECOMÉRCIO

A previsão de não pagamento do 13º salário aos servidores públicos do Acre, anunciado pelo Governo do Estado, caso confirmado, deve desacelerar as vendas de final de ano no comércio local, mas a medida pode não ser tão drástica. A expectativa é da superintendência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio/AC).

De acordo com o superintendente da instituição, Aurélio Cruz, o que segura o comércio local ainda é o pagamento do governo, que vem se mantendo em dia. “O não pagamento do 13º vai dar uma desacelerada. Em contrapartida não é tão drástico. O Acre é um dos estados que tem superávit primário”, destaca.

Cruz acrescenta ainda que a crise é motivada pela falta de confiança, que acaba criando um ciclo vicioso. “Mas o grau de confiança do comerciante vem melhorando nos últimos dois meses”.

Apesar de o porta-voz do governo ter anunciado acreditar que nenhum estado brasileiro poderia ter condições de anunciar que tem o 13º garantido, o superintendente da Fecomércio/AC diz que o Acre ainda está respirando e que neste momento as pessoas precisam resgatar a confiança.


Redação Folha do Acre

TARAUACÁ : POLÍCIA MILITAR PRENDE QUADRILHA QUE PRETENDIA REALIZAR ASSALTOS COM ARMAS DE FOGO


Homens do Serviço de inteligência da Polícia Militar em conjunto com a guarnição de serviço, conseguiram, após investigação, se antecipar ao crime de assalto que estava para ser realizado por uma quadrilha aqui no município. Nesta quinta feira, 17 de novembro, eles surpreende o grupo que estava hospedado em dois cômodos num quarteirão localizado no Bairro da Praia, rua Manoel Lourenço. 

A polícia prendeu Rafael Vasconcelos de Melo, 23 anos, com várias passagens pela policia da capital e sua parceira Sibele Matias Veras, 23 anos, com passagem pela polícia por tráfico de drogas, ambos moradores da Rua Jarbas Passarinho, número 2046, Bairro Apolônio Sales, em Rio Branco. Segundo a polícia esses dois chegaram recentemente de Rio Branco somente para realizarem os assaltos em nossa cidade.

A polícia prendeu Rafael Vasconcelos de Melo, 23 anos, com várias passagens pela policia da capital e sua parceira Sibele Matias Veras, 23 anos, com passagem pela polícia por tráfico de drogas, ambos moradores da Rua Jarbas Passarinho, número 2046, Bairro Apolônio Sales, em Rio Branco. Segundo a polícia esses dois chegaram recentemente de Rio Branco somente para realizarem os assaltos em nossa cidade.

domingo, 27 de março de 2016

BRASIL JÁ TEVE 1.500 LÍNGUAS INDÍGENAS; HOJE TEM APENAS 181 VIVAS


O Brasil de 500 anos atrás tinha mais de 1.500 línguas faladas no território. Após a chegada dos europeus, elas acabaram sendo extintas gradativamente. Hoje o país conta com apenas 181 línguas indígenas. Pesquisas universitárias tentam preservar esse patrimônio linguístico e cultural.

Mutua Mehinaku, mestre em antropologia social no Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e estudante do pluralismo linguístico no Alto Xingu, é descendente dos Kuikuro, um dos povos cuja língua materna corre o risco de desaparecer. De acordo com ele, 700 índios falam kuikuro, sendo que os critérios internacionais determinam que uma língua corre risco de extinção se falada por menos de mil pessoas.


"Se comparada a outras línguas indígenas, faladas por algumas dezenas de pessoas e com poucos estudos a respeito, a nossa está relativamente segura. Mas, quando se trata de um patrimônio tão importante e sensível quanto a sua cultura, é preciso se cercar de cuidados para que ele não siga ameaçado. Por isso as pesquisas na área são tão importantes", disse.

De acordo com Angel Humberto Corbera Mori, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a cada duas semanas pelo menos uma língua desaparece no mundo. No Brasil, recentemente, morreu a última falante da língua indígena xipaia, em Altamira, no Pará, e apenas dois anciões falam guató, vivendo em lugares diferentes e que não se comunicam entre si devido a distância. Para o pesquisador, a extinção dessas línguas representa também o desaparecimento de diversos conhecimentos acumulados ao longo de séculos.

Neologismos contra a extinção

Segundo Mori, se no período a colonização as línguas indígenas desapareciam junto com seus povos, dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores e pelo extermínio direto, hoje o maior risco que enfrentam é o contato direto com o idioma português.

"Passei a me aprofundar na língua que falamos para entender como o surgimento dessas palavras estrangeiras poderia comprometê-la. É diferente um idioma amplamente falado sofrer influência de outro. Quando somente algumas centenas falam essa língua, o risco de essa influência contribuir para sua extinção é grande"

Mutua Mehinaku

O pesquisador se dedicou, então, a o que seu povo chama de tetsualü – em kuikuro, qualquer mistura. Segundo ele, o princípio do tetsualü ganhou novo sentido e outra complexidade com a entrada do português nas línguas e na vida das aldeias do Alto Xingu, levando ao surgimento de neologismos em kuikuro, como o uso da palavra pagaka para se referir a "barraca", pasia para "bacia" e pisa para "pinça".

"Esses neologismos sofreram influência do português, mas são kuikuro. É a língua se reinventando e permanecendo viva", destacou.

Pesquisas

Em outra frente de pesquisa, cientistas trabalham no desvendamento do passado das línguas indígenas para entender como elas se formaram e, como consequência, ajudar no desenvolvimento de estratégias para sua preservação.

Giuseppe Longobardi, do Departamento de Linguística da Universidade de York, na Inglaterra, desenvolveu um método para comparar, com a ajuda de softwares, sistemas sintáticos de línguas diferentes, estabelecendo eventuais parentescos entre elas: o PCM (Parametric Comparison Method).

O método foi experimentado com uma língua guaikuru e outra karib, ambas de tradição oral, comprovando-se eficiente mesmo na ausência de registros escritos. Para compensar essa falta, os pesquisadores desenvolveram um questionário de gramática que auxilia na coleta dos dados gramaticais diretamente com os índios, muitos deles professores das línguas em suas tribos.

(Com Agência Fapesp)

ACRE: MENINA AFIRMA QUE ERA ABUSADA SEXUALMENTE PELO PAI, DIZ DELEGADA



Mesmo exame tendo dado negativo, gari continua preso em Cruzeiro do Sul. "Um beijo em menor de 14 anos, já é estupro de vulnerável", diz delegada.


O gari de 47 anos preso no domingo (20) suspeito de estuprar sua filha de 11 anos, no bairro João Alves, em Cruzeiro do Sul, permanece no presídio do município. A delegada Carla Ívane, responsável pelo caso, afirma que a menina confirmou que era abusada sexualmente pelo pai. O exame de conjunção carnal deu negativo.

No dia em que foi preso, a polícia foi acionada após vizinhos ouvirem os gritos da menina pedindo socorro. Segundo a delegada, a criança informou que três dias antes do flagrante feito pelos vizinhos o pai tinha passado a mão nas partes íntimas dela enquanto estava deitada para dormir.

A delegada fala ainda que o fato de o exame de conjunção carnal feito na criança comprovar que a menor ainda é virgem não descaracteriza o crime de estupro de vulnerável.

"O estupro de vulnerável é manter conjunção carnal ou a prática de qualquer ato libidinoso. Até um beijo em um menor de 14 anos, já é estupro de vulnerável. Quanto mais carícias nas partes íntimas. Segundo os relatos da menor, do laudo psicológico, e das testemunhas, houve a prática de atos libidinosos. O fato do exame ter dado negativo, não desconfigura o ato", afirma a delegada.

A criança está tendo acompanhamento psicológico. Segundo a delegada, o caso já foi entregue à Justiça, que deve decidir pela condenação ou não do suspeito. Carla afirma ainda que o suspeito continou negando ter cometido o crime contra a própria filha.

Entenda o caso



Um gari de 47 anos foi preso no domingo (20) suspeito de estuprar sua filha de 11 anos dentro de seu apartamento, no bairro João Alves, em Cruzeiro do Sul. A polícia foi acionada após vizinhos ouvirem os gritos da menina.

De acordo com a polícia, ao entrarem no local, os policiais encontraram o homem com a cueca abaixada até os joelhos e a menina, que pedia por socorro.

Ao G1, o suspeito negou a acusação e disse que estava tentando disciplinar a filha quando os vizinhos invadiram o apartamento. “A menina de 11 anos queria ir às 22h para casa de uma mulher que lava minha roupa e eu disse que ia dar uma pisa nela porque quem era o pai dela era eu. Só durmo de cueca e quando ela chorou, invadiram o apartamento”, explicou o gari.

POR QUE OS POLICIAIS SE MATAM: PESQUISA TRAZ NÚMEROS E RELATOS DE SUICÍDIOS DE PMs

Governo da Bahia

Policial militar no Rio de Janeiro, Miguel era agressivo em casa e brincava de roleta russa diante da mulher e dos filhos. Com colegas de trabalho, comentava que tinha vontade de dar um tiro na cabeça. Um dia deu: matou-se no banheiro de casa, com a própria arma.

João, policial do Batalhão de Choque, suicidou-se dentro da unidade, aos 32 anos. Descrito pelos amigos como extrovertido, comentou com eles, certo dia, que tinha problemas e estava separado da mulher. Matou-se no mesmo dia e deixou duas cartas, uma para ela e uma para o pai.

Regina, de 27 anos, tinha o sonho de entrar para a polícia. Era solteira, não tinha filhos e morava sozinha. Matou-se com um tiro na cabeça, dentro de casa.

Os nomes citados acima são fictícios, mas as histórias são reais. Estão contadas em “Por que os policiais se matam”, o mais completo diagnóstico sobre o problema do suicídio na Polícia Militar do Rio de Janeiro, resultado de uma pesquisa conduzida pelo GEPeSP (Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção), da Uerj, sob a coordenação da cientista política Dayse Miranda, em parceria com a PM fluminense.

O estudo, com coautoria de cinco psicólogos da Polícia Militar e de pesquisadores da Uerj de diferentes áreas, investiga fatores que levam ao suicídio de policiais e inova ao propor um plano de prevenção do comportamento suicida – com ações que incluem desde palestras até um treinamento para os profissionais de saúde da PM fluminense. O livro será lançado no dia 30 de março no Rio, no seminário “Prevenção do comportamento suicida entre policiais militares”.

Alguns resultados da pesquisa do GEPeSP foram revelados pela BBC Brasil em agosto de 2015: de 224 policiais militares entrevistados, 10% disseram ter tentado suicídio e 22% afirmaram ter pensado em suicídio em algum momento. Em contrapartida, 68% disseram nunca ter tentado nem pensado em se matar.

Agora, a íntegra da pesquisa traz números e relatos dramáticos do suicídio de policiais, investigando seus possíveis fatores – diretamente associados a problemas como falta de reconhecimento profissional, maus-tratos e quadros depressivos. Outra queixa frequente é a transferência, para a família, de relações violentas comuns no quartel.

De acordo com dados citados na pesquisa, cuja fonte é a própria Polícia Militar, de 1995 a 2009 foram notificados 58 casos de suicídio de policiais militares no Rio, mais 36 tentativas de suicídio. Dos 58 óbitos por suicídio de PMs da ativa, três aconteceram em serviço e 55 nos dias de folga. Foram em média três suicídios a cada ano. O número de mortes por suicídio na folga foi 18 vezes maior do que em serviço.

A pesquisa alerta, porém, para a subnotificação do problema: “As entrevistas com profissionais de saúde da PMERJ sugerem que muitos dos casos de suicídios consumados e tentativas de suicídio não são informados ao setor responsável por inúmeras razões. Entre elas, estão as questões socioculturais – o tabu em torno do fenômeno; a proteção ao familiar da vítima (a preservação do direito ao seguro de vida) e a existência de preconceito ao policial militar diagnosticado com problemas emocionais e psiquiátricos”, afirma o livro.

Com base nos dados, os pesquisadores estimaram o risco relativo das mortes por suicídio de PMs (homens e mulheres) em comparação ao da população geral do Estado entre 2000 e 2005. Concluíram que o risco relativo de morte de PMs por suicídio foi quase 4 vezes superior ao da população geral.
Algozes e vítimas

A Polícia Militar fluminense tem histórico de ações violentas, com envolvimento de policiais militares com casos emblemáticos como a tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013. Pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos mostram que PMs do Rio matam muito.

Segundo estudo do sociólogo Ignacio Cano apresentado no ano passado no 9º Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro era, em 2014, o Estado com maior taxa de letalidade na ação policial, ou seja, tinha o maior número de pessoas mortas pela polícia para cada 100 mil habitantes.

A novidade do trabalho do GEPeSP é justamente mostrar o policial não só como algoz, mas também como alguém em sofrimento psíquico.

Ao longo do trabalho, os pesquisadores da Uerj e os psicólogos da PM entrevistaram 224 policiais voluntários e investigaram mais 26 casos de suicídio de PMs de 2005 a 2009, conseguindo assim traçar um perfil dos suicidas. Concluíram que o praça (sargento, cabo ou soldado) do sexo masculino, de 31 a 40 anos, é a principal vítima de suicídio.

Segundo o Grupo de Atendimento aos Familiares de Policiais Militares Falecidos, desses 26 policiais que se mataram, só dois eram mulheres; 55% tinham de 31 a 40 anos. Quatorze eram casados ou viviam em união consensual; 14 tinham pelo menos um filho; nove foram definidos pelos parentes como brancos e 17 pardos.

Dos 26, dez eram evangélicos; 23 eram praças (sargentos, cabos e soldados); dois coronéis e um subtenente. Em relação à situação funcional, 19 eram da ativa e sete eram inativos. Dos 26, 13 trabalhavam em unidades operacionais e três em unidades administrativas.

Com base nas entrevistas dos 224 policiais e nos diagnósticos com as famílias de 26 policiais suicidas, os pesquisadores elencaram possíveis fatores para o sofrimento psíquico, culminando com as tentativas de suicídio e o suicídio em si.

Esses fatores incluem: rotina de agressões verbais e físicas (perseguições/amedrontamento, abuso de autoridade, xingamentos, insultos, humilhações); insatisfação com a PM, no que concerne a escala de trabalho, infraestrutura, treinamento, falta de reconhecimento profissional, falta de oportunidades de ascensão na carreira e desvalorização pela sociedade; indicadores de depressão variados e problemas de saúde física.

“Vemos uma interface de tensão entre o mundo do trabalho, com o policial está sujeito a relações abusivas, e o mundo fora do trabalho, quando o policial doente reproduz relações violentas. Tudo isso num contexto em que o policial tem acesso a uma arma, o que facilita qualquer ato violento. Outros profissionais também têm problemas no trabalho. Mas não têm uma arma na cintura”, analisa Dayse Miranda, coordenadora da pesquisa e organizadora do livro.
Plano de ação

“Por que os policiais se matam?” propõe dois tipos de intervenção para redução do risco de suicídio entre policiais. Uma de cunho geral, com palestras, gestão de pessoal (revisão das escalas de trabalho), gestão de logística (melhores locais para refeições e alojamento), formação e treinamento; e outra mais específica, voltada para o atendimento do policial em situação de risco.

Entre as estratégias específicas está a criação de um protocolo sobre como lidar com um potencial suicida, considerando os níveis de risco. Outro ponto importante é o alerta sobre o uso de arma de fogo. Em casos extremos, em que o policial for considerado de alto risco de cometer suicídio, pode-se providenciar para que sua arma seja recolhida.

“Retirar a arma de um policial não é simples, principalmente no caso de um policial doente. Outra dificuldade é que não há uma regra que defina em que circunstâncias de se acautelar a arma de fogo”, afirma Dayse Miranda.

“Sofrimento psíquico constitui preocupação”, diz comando da PM.

Procurado pela BBC Brasil para comentar o livro, o comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Edison Duarte dos Santos Junior, afirmou, em entrevista por e-mail, que a corporação tem ciência dos problemas de saúde física e mental enfrentados pelos policiais, sobretudo no que diz respeito aos afastamentos por problemas psiquiátricos.

“O sofrimento psíquico constitui preocupação por parte do comando da PMERJ, que tem dedicado esforços para o oferecimento de suporte psicológico para seus integrantes de forma ampliada, descentralizada e voluntária. Embora seja necessário aprimorar mais ainda a prestação de assistência psicológica, é preciso ressaltar que a PMERJ é a única Corporação no país que dispõe de quadro com 95 oficiais psicólogos, distribuídos em unidades de saúde (hospitais e policlínicas), operacionais (batalhões), unidades de ensino e formação, de seleção de pessoal, e unidades administrativas, tanto da Capital, quanto do interior do Estado”, afirmou o comandante.

Segundo o coronel Duarte, o principal programa de prevenção em saúde biopsicológica na PMERJ é o Serviço de Atenção à Saúde do Policial Militar (SASP), citado na pesquisa da Uerj, com equipes multidisciplinares que realizam avaliações gerais de saúde obrigatórias uma vez por ano para todos os PMs da ativa. Policiais que apresentam sofrimento psíquico são encaminhados para tratamento psicológico.

Ainda sobre a pesquisa da Uerj, o coronel Duarte afirmou ter interesse em realizar ciclos de palestras para os comandantes, diretores, coordenadores e chefes de todas as unidades, operacionais ou administrativas, para que eles possam efetivamente conhecer dos resultados e os fatores de risco de suicídio, além de aprender a lidar com o problema.

“Este é mais um desafio a ser enfrentado por todos na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O comando da PM terá sempre o cuidado de dar atenção total à saúde física e mental e ao bem-estar do policial militar”, afirmou Duarte.

O SUPREMO E O IMPEACHMENT: OS RUMOS DO BRASIL NAS MÃOS DE 11 MINISTROS

Os ministros do Supremo Gilmar Mendes, Luiz Fux, Carmem Lúcia, Dias Toffoli e Rosa Weber. Corte é composta por onze membros.


Os rumos da crise política brasileira estão nas mãos de nove homens e duas mulheres, ou como define o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, “onze pares de olhos, onze experiências, onze altíssimas responsabilidades”. “Este momento é de confiança vigilante no Judiciário. Esse Poder tem, pela Constituição, a competência de falar por último quando as controvérsias lhe chegam”, resume Ayres Britto.

A principal controvérsia do momento é o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Após dois meses de paralisado no STF, que foi demandado a definir o rito que deve ser seguido para o impedimento, o impeachment avança a passos largos na Câmara. Segue tão rápido num cenário com um Governo cada vez mais isolado e assistindo a uma debandada dos aliados que o Palácio do Planalto pretende mandá-lo de volta para o Supremo, sob a alegação de que não há base legal para questionar o mandato da presidenta. "O pacto entre nós é a Constituição de 1988. Ela assegura que não se pode tirar um presidente da República legalmente eleito a não ser que haja prova de crime de responsabilidade. Não tendo, é golpecontra a democracia", disse a presidenta em entrevista ao EL PAÍS e a outros meios estrangeiros. Outra questão importante que acabou judicializada é a posse do ex-presidente Lula na chefia da Casa Civil. Como os onze ministros responsáveis decidirão sobre esses assuntos é a pergunta que o país inteiro se faz no momento.

De todos os ministros que compõem a Corte, Teori Zavascki é o mais relevante para a Lava Jato. O relator dos processos da maior operação da história do país tem sob sua tutela o destino de mais de 50 autoridades. E a lista pode aumentar nos próximos dias, com a presença de Dilma, do vice-presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves (PSDB), todos mencionados na delação premiada de Delcídio do Amaral.

Indicado para o STF durante o Governo Dilma, Zavascki tem demonstrado discrição ao longo do processo, inclusive quando solicitou os processos do caso Lula na Lava Jato ao juiz Sérgio Moro. A investigação sobre o ex-presidente Lula acirrou os ânimos dos apoiadores do PT e do Governo, principalmente depois que Lula foi alvo de uma condução coercitiva para depor e que o sigilo de telefonemas do ex-presidente foi quebrado por Moro. As suspeitas públicas que pairavam sobre esses procedimentos foram balanceadas pela intervenção de Zavascki. O ministro criticou duramente Moro pela divulgação, mas encaminhou a decisão final para o plenário com 11 nomes do STF, a quem caberá definir se detentores de foro gravados pelos grampos, como a presidenta Dilma, serão investigados.

A decisão de Zavascki alterou parte de uma liminar concedida dias antes pelo ministro Gilmar Mendes, de quem não se pode falar exatamente em discrição. Reconhecido como crítico ferrenho dos governos petistas, foi Mendes que suspendeu a posse de Lula na Casa Civil, sob a suspeita de que o ex-presidente estava atrás do foro privilegiado que o cargo lhe garantiria. Na mesma decisão, Mendes, que chegou ao STF sob indicação do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, havia remetido a investigação sobre Lula para Curitiba — pela decisão de Zavascki, isso só deverá ocorrer após o Supremo definir que parte do processo fica no STF e que parte volta para a primeira instância.

Para Joaquim Falcão, professor da FGV Direito Rio, o Supremo tem plena competência para lidar com essas questões, mas precisa tomar cuidado com a individualização das decisões. “Precisamos de mais plenário e menos liminares, mais decisões colegiadas e menos decisões individualizadas”, diz Falcão. O problema, segundo o professor, é que existem mais de 30 maneiras de acionar o Supremo, entre mandados de segurança, ações diretas de inconstitucionalidade, petições, agravos e embargos que tornam o sistema extremamente complexo.

A ministra Rosa Weber, outra indicada por Dilma de atuação discreta na Corte, negou na terça-feira um pedido de habeas corpus da defesa do ex-presidente Lula contra a decisão de Gilmar Mendes de suspender a posse na Casa Civiil. No mesmo dia, o ministro Luiz Fux — que chegou ao Supremo pouco antes do julgamento do mensalão e votou duramente contra os condenados pelo esquema — também negou provimento a um mandado de segurança que questionava a decisão de Mendes de remeter o processo de Lula para o juiz Sérgio Moro. Ambos citaram jurisprudência que visa evitar uma guerra de liminares entre ministros da corte.

Outro ministro do STF que negou pedido da defesa de Lula nesta semana foi Edson Fachin, também pelo mesmo motivo. Juiz mais novo da Corte Suprema,Fachin enfrentou pressões públicas e teve de fazer campanha de gabinete em gabinete para conseguir convencer os senadores de que não assumiria vaga no Supremo para defender o Governo Dilma. O motivo: Fachin apoiou a candidatura de Dilma publicamente em 2010, com direito a discurso disponível na internet. Na primeira votação importante, contudo, votou contra a vontade do Governo, ficando entre os vencidos quanto ao rito do impeachment que atribuiu mais importância ao Senado no processo.

A desconfiança com Fachin se assemelha àquela sentida em relação aos ministros Luis Roberto Barroso e Antonio Dias Toffoli. Um dos mais novos na Corte, Barroso participou da mobilização para a criação do PT nos anos 1980 e tem adotado posições progressistas no Supremo, em particular no seu voto pela liberação da maconha. No rito do impeachment, abriu a dissidência que resultaria em desfecho celebrado pelos governistas. Já Dias Toffoli, que foi advogado do PT e ficou marcado popularmente no julgamento do mensalão por supostamente votar para amenizar a situação de petistas como o ex-ministro José Dirceu, tem adotado com muito vigor posições parecidas com as do antipetista Gilmar Mendes.
Golpe ou não golpe

Os ministros do STF não vivem completamente apartado do mundo político — prova disso são a polêmica em torno da reunião de Lewandowski com Dilma em Portugal, no ano passado, por exemplo. Oficialmente, eles disseram que discutiram o aumento do Judiciário. Mais recentemente, a polêmica envolveu o encontro público de Gilmar Mendes com o senador oposicionista José Serra (PSDB). "Eu não estou proibido de conversar com Serra, nem com Aécio (Neves, também senador tucano), nem com pessoas do Governo", disse Mendes, em entrevista à BBC Brasil.

Nos últimos dias, a participação deles no cenário político se intensificou. Ao menos dois deles, Carmém Lúcia e Dias Toffoli, foram instados por órgãos de imprensa a comentar se "impeachment é golpe". Responderam o óbvio, sem entrar no mérito do caso de Dilma Rousseff: reafirmaram que o instrumento está previsto na Constituição. Desde que respeitados os preceitos legais, não é golpe.

Indicada por Lula, a ministra Cármen Lúcia foi dura com os petistas durante o julgamento do mensalão, em particular ao condenar os argumentos de defesa que apresentaram o caixa dois como um crime menor ou corriqueiro. Nesta semana, foi a que mais falou sobre os caminhos do processo de impeachment. Em entrevista à GloboNews, disse: "O processo de impeachment é previsto na Constituição. Não se pode falar em golpe se houver observância da Constituição. Agora, é preciso observar a Constituição para a gente ter garantia de que não há golpe, que, aí sim, teria de afrontar a Constituição, deixar de cumpri-la", começou.

E acrescentou: "O processo do impeachment é político-penal, no sentido de que há uma previsão e a necessária e imprescindível observância das leis e da Constituição, para se instalar - autorizar pela Câmara, e processar e julgar pelo Senado - um crime. E crime é uma prática que precisa ser comprovada. Só que, como tem o conteúdo político, o julgamento se faz por uma outra Casa que não o Poder Judiciário. O Senado se transforma em órgão de julgamento presidido pelo presidente do Supremo".

Questionada se o processo poderia ser judicializado, ele sugeriu que, após chegar ao Senado, é pouco provável. "Pela singela circunstância de que o que vai para Poder Judiciário é a não observância das leis e um processo conduzido pelo presidente do Supremo, que neste caso preside a Casa julgadora, não deixará ocorrer nada que transgrida a Constituição e e as leis. A competência é do Senado, não é do Poder Judiciário." Lúcia deve ser a próxima presidenta do Supremo.
Demais votos

Já o ministro Marco Aurélio Mello, um dos mais antigos da Corte — ele foi indicado por Fernando Collor de Mello, seu primo, em 1990 —, tem feito declarações públicas em defesa da estabilidade institucional, o que, alguns leem, como indiretamente um benefício ao Governo em atividade.

Completam a lista o atual presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, marcado por setores da opinião pública, assim como Toffoli, por ser mais suave com os petistas no julgamento do mensalão e por seus embates com o relator daquele caso, Joaquim Barbosa; e, por último, o decano Celso de Mello. Membro mais antigo do grupo (desde 1989), Mello se posicionou publicamente, em nome do STF, sobre o conteúdo das gravações em que o ex-presidente Lula se referiu à Corte como "acovardada" diante do que chamou de "República de Curitiba". A julgar pelo duro tom escolhido por Mello para a ocasião, as apostas são de que Lula e o Governo Dilma não terão vida fácil por ali. Neste fim de semana, um vídeo com declarações dele a uma mulher que o abordou num lugar público circulou nas redes sociais. Mello defendeu a Operação Lava Jato, que, segundo ele, "tem por finalidade expurgar a corrupção que tomou conta do Governo e de poderosíssimas empresas brasileiras".

Nas próximas semanas, todos estarão atentos a todas as falas e gestos dos 11 do Supremo. Pressões e politizações à parte, o ex-ministro Ayres Britto repete que "o Judiciário não é um órgão de Governo, mas um órgão impeditivo do desgoverno".

http://brasil.elpais.com/

sábado, 26 de março de 2016

ACRE- PACIENTES DO PRONTO SOCORRO FICAM 48 HORAS SEM TOMAR BANHO E TEMEM INFECÇÕES

O Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), o Pronto Socorro, não tem passado por dias bons. Desde a terça-feira, dia 22, um problema na rede de distribuição da água de dois setores da unidade tem deixado os pacientes possibilidade de banho. Falta água até para escovar os dentes. Entre os internos, prevalece o medo do surgimento de infecções.

Um dos pacientes, José Benedito da Silva, internado na enfermaria masculina, conta que só não ficou sem o banho porque a filha, de 17 anos, conseguiu um balde para carregar água por uma distância de 100 metros, entre o setor de limpeza do hospital e o banheiro do local em que está internado.

“Estou aqui há três dias, internado. Desde anteontem que é essa vergonha aqui. Uma tremenda falta de respeito com a gente. Já pensou se eu pego um infecção. Abriram minha barriga de cima abaixo, e agora dizem que se quiser água, os acompanhantes tem de ir lá atrás pegar, a minha sensação é de descaso e esquecimento”, diz o paciente.

A filha dele, a jovem Alice Melo, também comentou o caso, e explicou que a principio os funcionários do hospital informaram que levariam água até o setor, porém, “até agora, ninguém apareceu não com a água, e a gente é que tem que ir lá atrás pra buscar. Quando a gente pensa que as coisas vão melhorar, aí é que tá: pioram. O pior é que ninguém diz quando vai voltar essa água”, reclama.

A mãe de uma criança atropelada, Maria Inês Pereira, que acompanha o filho na unidade, também comentou a situação, e, emocionada, diz estar preocupada com a saúde da criança, pois ele precisa defecar mas tem medo, já que a água para o limpar está em falta na enfermaria.

“Até meu filho tem receio, sabe? Ele disse para mim que não quer defecar porque eu vou ter que descer e buscar a água, e como eu tenho problema de saúde, ele tem que eu piore. Já que ele não consegue andar, precisa ser lavado ali mesmo na enfermaria, mas agora tá sendo impossível. Complicada essa situação. Eu espero que seja resolvida”, conta.

Segundo o diretor-geral do Huerb, o problema é consequência de uma falha da tubulação subterrânea do hospital, porém o problema já identificado e, tão logo seja possível, seria corrigido por técnicos do Departamento de Saneamento (Depasa), que já trabalhavam no local. “É um problema temporário que já está em resolução. Ainda hoje, acredito, estaremos com tudo resolvido e a água em todas as enfermarias”, explicou Fabrício Lemos.